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Curar quando possível; conforto sempre

Curar quando possível; conforto sempre

Cuidados paliativos referem-se ao alívio de sintomas em pacientes que não apresentam mais possibilidade de cura. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) seu significado é o cuidado total e ativo de pacientes cuja doença não é mais responsiva à tratamento curativo.
O tratamento baseia-se no combate de sintomas como dor, sangramento, desconforto respiratório ou risco de alterações de curto prazo (neurológicas por exemplo). O objetivo é fazer com que o paciente, e por conseqüência seus familiares, tenham melhor qualidade de vida dando conforto e diminuindo o sofrimento.
Este tipo de intervenção é habitualmente utilizada em pacientes com doenças avançadas, sejam elas degenerativas, neurológicas, cardio-pulmonares ou oncológicas.
Desde a década de 1990, estudos como o ENABLE (termo do inglês que pode ser traduzido por Educar, Nutrir e Aconselhar, antes que a vida Termine) avaliam a estratégia da paliação precoce. Neste estudo pacientes com câncer avançado foram submetidos a terapias focadas na resolução de problemas, capacitação, gerenciamento de sintoma, apoio, comunicação e planejamento avançado na assistência. Em um estudo posterior (ENABLE II) foi demonstrado que os cuidados paliativos precoces melhoravam a qualidade de vida e o humor dos pacientes.
Com a evolução destes estudos ficou claro na literatura que a intervenção precoce não servia apenas para doença terminal.
Em 2010 o estudo realizado por Temel e colaboradores distribuiu aleatoriamente 151 pacientes com câncer de pulmão metastático recém-diagnosticado para receber cuidados oncológicos integrados com cuidados paliativos ou cuidados oncológicos isoladamente. Atenção especial foi dada à avaliação de sintomas físicos e psicossociais, estabelecendo metas de atendimento, auxiliando na tomada de decisões sobre o tratamento, e coordenando os cuidados com base nas necessidades individuais do paciente.
Os pacientes que receberam cuidados paliativos precocemente sobreviveram mais tempo do que os pacientes que receberam o tratamento padrão (11,6 versus 8,9 meses). Os pacientes no grupo de cuidados paliativos tinham uma melhor qualidade de vida e também eram menos propensos a ter sintomas depressivos (16% vs 38% )
Em 2015, saíram os resultados do estudo ENABLE III, com 207 pacientes com câncer avançado que receberam cuidados paliativos entre 30-60 dias após o diagnóstico ou 3 meses após o diagnóstico. A taxa de sobrevida em 1 ano foi melhor entre os pacientes que receberam cuidados paliativos entre 30-60 dias (63% vs 48%). Além disso pacientes que receberam cuidados paliativos mais cedo tiveram menos depressão e estresse, com extensão desse beneficio aos seus cuidadores.
Outros estudos indicam que o estresse e a depressão crônica são fatores de risco para o desenvolvimento e progressão do câncer. O mecanismo também poderia ser indireto, pois a depressão pode diminuir adesão ao tratamento e o auto-cuidado.
Esperamos que os resultados desses estudos sejam disseminados e virem referência para o atendimento integral do paciente com indicação de tratamento paliativo, resultando na melhora imediata da qualidade de vida deles e de seus cuidadores.

Fonte:  http://www.medscape.com/viewarticle/854909
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