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Humanização x Violência Obstétrica – por Ana Cristina Russo

Humanização x Violência Obstétrica – por Ana Cristina Russo

O termo humanização tem sido usado como oposto à violência obstétrica. A humanização não tem nada a ver com o parto primitivo. Assim como, o parto hospitalar com intervenções nada tem a ver com a violência obstétrica. A humanização é uma série de medidas na assistência ao parto, onde os recursos apesar de disponíveis, não são usados quando desnecessários ou indesejados.

Neste movimento, algumas intervenções que eram feitas de rotina, como ficar restrita ao leito; com soro; em dieta zero; fazer enteróclise e tricotomia, foram abolidas após os estudos não mostrarem benefícios.  Outras intervenções, como uso de ocitocina; analgesia; episiotomia; fórcipe e cesariana, os estudos mostraram não serem necessárias rotineiramente, mas fundamentais quando indicadas pelo médico. Logo, não são formas de violência.  O controle da dor é um fator fundamental no parto. Para ser humanizado o parto não precisa ser primitivo. A dor pode ser  controlada com medidas não farmacológicas (banho de banheira, acupuntura, relaxamento, massagem) ou analgesia farmacológica (que inclui a anestesia peridural). Não é violência fazer esta analgesia em quem deseja ou precisa. O ambiente e a presença de acompanhante (familiar ou doula), se associam com diminuição do medo e da ansiedade e menor necessidade de analgesia. Mas não são determinantes, podem ser escolhidos ou não pela gestante.

O parto acompanhado por obstetrizes se relaciona a menor quantidade de intervenções. Por isso a associação com parto humanizado. Deve ser estimulado, desde que em ambiente hospitalar, compondo uma equipe com médicos, os únicos capacitados para reverter as complicações. O parto humanizado também é feito por médicos.  Parto humanizado não é sinônimo de parto domiciliar, de sentir dor, de abrir mão dos recursos, de excluir o médico. Parto humanizado não é sinônimo de parto vaginal. A cesariana pode ser indicada ou desejada, afinal humanização inclui também a autonomia. Parto humanizado não é sinônimo de ser tratada com respeito. Isso é obrigação em qualquer relação interpessoal.  Parto humanizado não é abrir mão dos recursos por ideologia, ativismo, feminismo ou empoderamento. É simplesmente um conjunto de medidas, que visam que o parto seja visto como um evento fisiológico e por isso sejam evitadas intervenções desnecessárias ou indesejadas.

Médicos e hospitais não são contra a humanização. Mas desaconselham o parto domiciliar, devido aos riscos do parto com privação dos recursos.

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