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O que (não) falta no Sistema de Saúde Brasileiro

O que (não) falta no Sistema de Saúde Brasileiro

O ajuste fiscal realizado pelo Governo Federal em 2015 acaba de retirar 11,7 bilhões da pasta da Saúde.
Não é a primeira vez que os recursos escassos da área sofrem baixa significativa, mesmo após pesquisa do instituto Datafolha apontando a Saúde como a principal preocupação do brasileiro.
Hoje ,o SUS é responsável por aproximadamente 150 milhões de vidas, enquanto o sistema de saúde suplementar cobre 50 milhões de usuários. Curiosamente o financiamento do SUS é menor do que os gastos do setor privado.
Estamos falando de um sistema universal público de saúde, que em outros países recebe em média 10% do PIB, com 70-80% de financiamento estatal, e no Brasil para os mesmos 10%, menos da metade do financiamento é público e destinado ao SUS.
Além da escassez de recursos, outro importante gargalo no sistema de saúde brasileiro é a Gestão dos recursos.
Citando alguns problemas como Processos licitatórios morosos, desvio de verbas, Equipes de Saúde da Família e atenção básica com baixa cobertura, gestão hospitalar não competitiva e gastos exorbitantes, principalmente devido a má-utilização de Prontos Socorros e UTIs, que representam os maiores gastos de um hospital de grande porte.
O Ministro da Saúde, Chioro, tem assumido a possibilidade de criação de Sistema Nacional de Saúde, que contemplaria o SUS e a Saúde Suplementar, tendo o Estado como regulador.
Nesse contexto a primeira medida para permitir alcance de saúde de qualidade à população é o investimento maciço no atendimento primário e secundário, desde infra-estrutura até programas para estabelecimento de equipes de saúde da familia em todo país. Esse desafio é enorme devido as proporções descomunais do Brasil, entretanto 80% dos agravos à saúde são resolvidos nessa esfera, o que diminuiria custos com gastos hospitalares a médio prazo.
No Canadá, por exemplo, houve um aumento do número de ambulatórios (virada ambulatorial), estímulo à realização de cirurgias de baixa complexidade em ambientes não hospitalares (muito mais onerosos), aumento do período de funcionamento de unidades básicas de saúde (UBS), organização de uma rede referenciada desde o atendimento básico até o de maior complexidade, como o oncológico, entre outras medidas.
Após concluída essa “virada ambulatorial brasileira”, um caminho interessante a trilhar seria trabalhar a exaustão a regulação e referenciamento de pacientes para hospitais terciarios e quaternários, sejam públicos ou privados. A intenção nesse caso seria diminuir a demanda de pacientes com doenças tratáveis na UBS que procuram o super-especializado Pronto Socorro de grandes hospitais e a adequada realocação de pacientes nos hospitais de acordo com a gravidade e cronicidade de sua doença.
O que não falta na política de saúde brasileira é discurso partidário e demagogo. Os caminhos são vários mas é necessário, antes de tudo, vontade política.

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