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Reagir: A primeira atitude para vencer o câncer

Reagir: A primeira atitude para vencer o câncer

Há alguns dias vimos uma reportagem com a história da Karen (clique aqui e veja postagem sobre o assunto). Ela teve Linfoma, uma doença altamente curável, mesmo em casos avançados. O noivo da Karen terminou o relacionamento durante o tratamento da doença. Karen ficou arrasada e entrou em depressão. Foi quando sua médica disse a ela que o câncer ia adorar vê-la daquele jeito e que, se eu quisesse viver, tinha que começar a reagir. Karen pensou e decidiu que nem a doença nem a tristeza iam vencer. Hoje ela está bem e cuida de uma ONG que presta assistência à pacientes com câncer (Projeto do Rei).
Desde a grécia antiga relaciona-se alterações emocionais e doenças, e com os avanços da neurociência, foram reveladas diversas conexões entre os sistemas psiquico, neuroendócrino, neurológico e o sistema imunológico (que é responsável pela defesa contra infecções e câncer), ou seja, integração entre a mente e nossas defesas naturais.
A área da ciência que estuda essa interação é a Psiconeuroimunologia (PNI). Para a PNI, a saúde é o equilíbrio dinâmico entre a mente e o organismo.
Por exemplo, a liberação excessiva de hormônios de estresse antiinflamatórios, tais como o cortisol, causa leve imunossupressão, com aumento de citocinas pró-inflamatórias, que pode predispor o indivíduo a infecções e deficiência no combate às células cancerígenas pelas células de defesa do organismo, chamadas natural Killers.

Outro exemplo ocorre devido ao próprio tratamento, em que citocinas administradas durante quimioterapia induzem episódios depressivos, ou durante a radioterapia que pode causar fadiga excessiva em mais de 50% dos pacientes.
Ou seja, um desequilíbrio prolongado devido a um estado depressivo pode causar um ciclo vicioso com aparecimento de doenças infecciosas e predispor ao apareciemento ou recidiva do câncer.

Um estudo da revista Cancer de 2002 mostrou que a influência do estresse e depressão na imunomodulação (modulação da imunidade) é importante no aparecimento do câncer, mas também pode influenciar na sua progressão.
Mulheres que tinham um suporte social adequado tinham menor nível de fator de crescimento endotelial-vascular (VEGF), esse fator é responsável pelo crescimento de vasos ao redor do tumor. Possivelmente o fato do paciente apresentar menos VEGF, faz com que haja menos estímulo a formação dos vasos para nutrição do tumor.

Em outro interessante artigo de 2013 intitulado “Minding the body: Psychotherapy and cancer survival”, David Spiegel faz uma interessante revisão da literature em que 8 de 15 estudos indicam que a psicoterapia aumenta o tempo de sobrevida de pacientes com câncer. Nenhum estudo mostrou efeito adverso nesses pacientes.

No caso ilustrativo da Karen podemos notar que além de enfrentar a situação de maneira saudável, ela iniciou um processo de inversão da sua condição de doente para um papel de incentivo e ajuda à pacientes com câncer.

Essa troca de experiências fará tão bem a ela quanto as pessoas beneficiadas e equipe dos profissionais de saúde.

Parabéns a esta excelente iniciativa e que se multiplique em outros locais!

paulo

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462004000300002

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/cncr.10739/abstract

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/bjhp.12061/full
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