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Trampolim para o abismo: educação médica sitiada

Trampolim para o abismo: educação médica sitiada

“A imagem que tenho dos mestres demitidos é outra. É a imagem de quem conviveu seis anos com eles. O único trote que tomei deles foram as merecidas broncas quando eu, como estudante imaturo e ignorante, negligenciava algum conhecimento fundamental para a saúde do paciente adoecido no leito à minha frente. O único privilégio que tive foi ter aprendido com eles. Aprendido a me colocar totalmente a serviço dos meus pacientes” Elton Alonso Pompeu – Médico, sobre os Professores Carlos Oswaldo Teixeira e Aparecida Barone Teixeira A Faculdade de Medicina da PUC-Campinas, uma das mais tradicionais do país, excluiu na quinta feira, 25/06/2015, três professores, sendo dois com mais de 40 anos de casa, dos quadros da instituição. Devido à acusações irresponsáveis e desprovidas de verdade, professores dedicados diariamente ao cuidado de pacientes carentes e ao ensino médico, foram afastados de suas atividades.

As “denúncias” realizadas por um grupo de alunos não ecoa entre a grande maioria da comunidade acadêmica, tanto discente quanto docente da PUCC, entretanto faz ressonância com o ideário seguido pela atual gestão da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (DENEM). Digo isso pela forma como o coordenador geral da DENEM expõe como vitorioso o desligamento de profissionais dedicados exclusivamente ao ensino pelo SUS, baseado somente em acusações descabidas e infundadas. As peças começam a se encaixar quando descobrimos que parte dos “denunciantes” são ligados a partidos políticos e a DENEM, que tem como coordenador regional, um discente da PUCC, que não participa do Diretório Acadêmico, nem representa os alunos da Faculdade. A grande maioria da comunidade acadêmica e os ex-alunos seriam “cúmplices” que defendem fervorosamente esses professores para manter algum tipo de corporativismo ou seu status quo? Ou estariam se levantando contra uma injustiça contra seus mestres e rejeitando a representatividade de colegas que parecem ter mais interesse em aplausos externos e trampolim político do que em aprendizado médico?

No dia 25/06/2015, o estratagema do “Nós contra eles”, irresponsável e segregador, fez uma ferida irreparável na comunidade médica. Precisamos de real representatividade de nossas crenças e necessidades em todas as esferas, sejam acadêmicas ou políticas, para que aberrações como essa não aconteçam mais!

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