Últimas Notícias
Capa / Artigos / Tratamento para Metástases Cerebrais: Onde estamos?
Tratamento para Metástases Cerebrais: Onde estamos?

Tratamento para Metástases Cerebrais: Onde estamos?

O tratamento de câncer metastático para o encéfalo é uma das áreas de maior crescimento na neuro-oncologia.
Após o término do IV Congresso Internacional e Neuro-oncologia, em São Paulo, ficou evidente que o tratamento de metástases cerebrais evoluiu de maneira exponencial nos últimos anos. O tema foi abordado de maneira profunda com discussões de altíssimo nível, e que não necessariamente apresentavam um consenso, evidenciando o aumento no arsenal terapêutico para essa entidade.
O principal tratamento para metástases cerebrais sintomáticas é a cirurgia, por retirar imediatamente o agente causador do déficit neurológico. Entretanto até mesmo a técnica cirúrgica evoluiu dando-se preferencia às cirurgias em bloco, com a retirada da metástase inteira, quando possível. Esse procedimento diminui chance de retorno local da doença.
A cirurgia tem papel fundamental em lesões radio-resistentes, císticas, sem diagnóstico definido ou que recidivaram após radiocirurgia.
Alguns tumores prevalentes como o de pulmão e mama se beneficiaram com avanço no tratamento sistêmico, seja com quimioterapia ou terapia alvo, pois existe uma barreira natural, chamada de hemato-encefálica, que não permite a passagem do medicamento do corpo para o cérebro.
Pacientes com tumor de pulmão com algumas mutações específicas como ALK positivos podem se beneficiar de inibidores dessa via, que além de alta resposta podem evitar progressão no encéfalo. O primeiro agente do gênero, o Crizotinib, apresenta pequena eficácia em lesões intracranianas, entretanto sua segunda geração (Alectinib) pode manter controle em mais de 50% dos pacientes.
Outro exemplo são mulheres com tumor de mama, que expressam HER-2 (20 a 30%), e que tenham um quadro grave caracterizado com disseminação leptomeníngea. Nesses casos é possível utilizar o trastuzumab, um anticorpo monoclonal, que não atravessa a barreira hemato-encefálica, mas pode ser injetado no compartimento intra-tecal (onde fica o liquor, que banha o encéfalo), com chance de resposta e melhora dos sintomas, o que ocorre raramente nos casos de disseminação leptomeníngea.
Outro tratamento é a radioterapia, seja na modalidade tridimensional em todo crânio ou na forma milimétrica da radiocirurgia.
Há alguns anos o único tratamento possível era tratar todo crânio de maneira homogênea, mas com o avanço da tecnologia duas interessantes modalidades surgiram. A radiocirurgia, que é o tratamento com altíssima dose de radioterapia somente na lesão, preservando o tecido normal, e que tem seu principal benefício em lesões únicas, mas que pode ser realizada em múltiplas lesões.
Em casos em que é necessária irradiação de todo crânio, pode-se utilizar a técnica VMAT (Arco Volumétrico com Intensidade Modulada), que diminui a dose de tratamento no hipocampo, responsável pela memória, e pode aumentar a dose em lesões radio-resistentes, maximizando os resultados.
Hoje o tratamento de metástases cerebrais caminha, a passos largos, para o controle local ótimo no encéfalo, beneficiando milhares de pacientes com melhora da sua qualidade de vida.

812 Visualizações 1 Visualizações Hoje

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*