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Tratamentos de Alto Custo e Universalização da Saúde

Tratamentos de Alto Custo e Universalização da Saúde

Uma nova droga chamada Nivolumab pode dobrar a sobrevida de alguns pacientes com uma mutação específica do tumor de pulmão.
Estes tumores produzem uma proteína chamada PD-L1 que não permite que o sistema imunológico os ataque.
O Nivolumab impede que as células cancerígenas “desliguem” o sistema imunológico (anti-PD-L1), deixando-as vulneráveis às células de defesa do corpo humano.

O estudo principal sobre a droga foi realizado com 582 pacientes com câncer de pulmão em estágio avançado e que já haviam recebido quimioterapia.
Quem recebeu o tratamento habitual tinha sobrevida média, de 9 meses após iniciar o tratamento, enquanto que os que receberam Nivolumab uma média de 12 meses.
Quando os níveis de produção de PD-L1 eram altos, alguns pacientes chegavam a viver mais de 19 meses, com respostas duradouras.

Os dados foram apresentados pelo laboratório farmacêutico americano Bristol-Myers Squibb.

Apesar dos importantes achados, esse tipo de tratamento tende a ser muito caro, o que será um desafio aos sistemas de saúde universais, como é o caso do Brasil, Inglaterra e Canadá.

Nessa última semana houve uma orientação emitida pelo Instituto Nacional de Saúde Inglês que considerou que o Nivolumab não seria incorporado como tratamento no sistema de saúde e a empresa deveria diminuir os custos do medicamento.
Foram claros ao afirmar que, mesmo com inegável benefício da imunoterapia para casos selecionados, é necessário pesar custo-benefício de novos tratamentos, pois os recursos são finitos e podem faltar em áreas básicas caso sejam utilizados sem o devido planejamento.

Além da imunoterapia, cada vez mais os tratamentos dispensam altos recursos financeiros devido a sua especificidade e alguns indivíduos podem gerar custos equivalentes ao orçamento da saúde para uma centenas de outros.

Os caminhos para diminuir gastos com tratamentos de ponta são poucos, mas alguns já são utilizados como a parceira público-privada para fabricação de medicações e economia de escala (comprar em grandes quantidades para baixar custos). Infelizmente, mesmo com estes recursos, não é possível oferecer todos os tipos de tratamento em sistemas universais e em certas situações é necessário fazer escolhas, como foi feito na Inglaterra.

A boa notícia é que atualmente centros de oncologia no exterior e dentro do Brasil estão recrutando pacientes para estudos com medicamentos anti-PD-L1 e isso pode incluir pessoas que não teriam condições de pagar o tratamento.

Fora dos estudos clínicos, espera-se que medicações como esta possam ser viabilizadas economicamente o mais rápido possível, por meio de parcerias entre iniciativa privada e estado, seja Inglaterra ou Brasil.

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